Olhos D’Água

Uma nascente de expressão e troca de idéias… sobre o cotidiano; reminicências e as Mídias e o Serviço Social.Mas, há espaço para a poesia; a música; o humor etc. e tal…

30/8/08

Revirei o meu baú

 

Foto: www.artesantoflordocampo.com.br

 

 

Ontem à noite fiz uma busca no meu baú, onde guardo o que considero parte de meu tesouro. Na verdade ele é uma caixa de papelão que fiz – uma de minhas manias é a cartonagem -, recoberta com um papel especial, de presente, que tem como estampa peças de um jogo de xadrez.

Escolhi este tema sem um propósito, específico. Acho que foi porque o achei bonito, na época. Nela guardo cartas; cartões de aniversário e Natal; postais que recebi de pessoas amigas de longa data. Não são partes de nenhum jogo afetivo. São na verdade peças importantes que compõem a minha história. Todas de um valor inestimável. Tesouros, mesmo!

Bateu uma nostalgia, tamanha. Sentei no sofá da sala e fiquei lendo boa parte dos carinhos que me foram enviados, até altas horas. E, por falar em papel de presente: abri e reli todas as dedicatórias que foram escritas por um grupo de amigos de um dos locais de trabalho, pelos quais passei até agora. Ao invés de usarem papel de presente, optaram pelo papel contínuo; desses que já foram usados há tempos atrás, em impressoras matriciais; eram as do CPD da empresa.

Nele foi embrulhada uma tela à óleo, feita por um deles, um pintor talentoso, que hoje brilha no céu. Ele fez uma exposição na empresa e todas às vezes que eu ia ao departamento onde eles atuavam e estavam expostas as obras, não tinha jeito, lançava o meu olhar, especialmente, na qual ganhei, sempre dizendo, iria juntar dinheiro para comprá-la.

Acabei ganhando a tela de presente de Natal. Ela retrata uma mulher nua de costas, focada com uma luz sobre o seu corpo, com um violino em uma das mãos, uma mesa com um copo, um pão e uma moldura de tela vazia no chão. O Artista me falou sobre o estilo da pintura como “impressionismo”. Na hora nem acreditei. Chorei muito de emoção. Depois ri bastante junto com eles, pois, cada dedicatória, tinha também uma pilhéria comigo, por causa do meu propósito e por eu ser a caçulinha do grupo.

Bem, hoje, é fato, receber correspondências via correio é raro. Todo mundo há algum tempo só fica nessa de e-mail. No último natal, recebi apenas dois cartões; os quais foram colocados na minha árvore. Puxa, fiquei tão contente!! E, com uma dor na consciência, porque, também optei pelos cartões virtuais, ao invés dos de papel.

Sempre que vou ao Centro do Rio, vou à Livraria da Travessa, mas, a da Travessa do Ouvidor; há uma papelaria anexa, onde podem ser encontrados cartões bem charmosos, papéis de presentes importados, que fazem a diferença na confecção de caixas (pra quem gosta), e mesmo para embrulhar pessoalmente um presente de modo charmoso. Além de vários itens do gênero papelaria. Todos com um diferencial. Só os preços é que são “salgadinhos”. Mas, por exemplo, presentear alguém especial, como algum mimo para o seu escritório, em casa ou no trabalho pode deixar marcas significativas… rsrs.

 

 

criado por NRSE    22:39 — Arquivado em: Reminiscências

A justificativa da escrita.

 

Recebi outro dia um e-mail de uma amiga, onde ela havia feito um recorte do artigo -  "Máximas sobre o ato de escrever" -, do jornalista Luiz Caversan, da Folha On Line. Este artigo é datado de 21/10/06. Devo confessar que li o artigo por inteiro, ontem, no site da Folha On Line: www.folha.uol.com.br . Gostei muito e acho que vale a pena conhecê-lo por inteiro.

Ele aborda o início de sua carreira como jornalista; suas inquietações nesta fase e o norte que lhe foi dado por um colega experiente, sobre o ato de escrever com objetividade e clareza. E, aí ele descreve o achado: as frases dos talentosos da escrita. Os que fizeram escola.

 

Selecionei abaixo,  algumas delas:

 

*"Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca idéias." (Pablo Neruda)

 

*"Somos todos escritores. Só que uns escrevem, outros não." (José Saramago)

 

*"Reescrevi 30 vezes o último parágrafo de ‘Adeus às Armas’ antes de me sentir satisfeito." (Ernest Hemingway)

 

*"Uma história se conta, não se explica." (Jorge Amado)

 

*"Escrevo para que meus amigos me amem ainda mais." (Gabriel García-Márquez)

 

*"Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer é porque um dos dois é burro." (Mário Quintana)

 

*"Eu escrevo como se fosse salvar a vida de alguém. Provalvelmente a minha própria." (Clarice Lispector)

 

São pérolas a serem apreciadas e, também, um norte a seguir, com toda a humildade necessária,  para se assimilar o aprendizado da escrita.

 

 

 

 

criado por NRSE    21:08 — Arquivado em: Cotidiano

29/8/08

Por quê?

Ando há muito tempo, querendo ingressar nessa “onda” de ter um blog.
Modernismo à parte, na Era da Comunicação, não tem mesmo jeito, tudo que possibilita uma conexão de linguagem tem de ser aproveitada. Então vou nessa. Soltar a voz… rsrsrs… na verdade, soltar o pensamento, articular os dedos no teclado, fazendo com que eles expressem idéias; reflexões; carinhos; dúvidas e compartilhamento de emoções, mas, sobretudo de aprendizagem na arte de se viver de modo prazeroso e cativante. É preciso aprender esses paradigmas com a nossa rede de relações afetivas e sociais.

E, no propósito de seguir a trilha de descobertas, fiquei pensando no nome que daria, já que por tamanha inibição – mesmo do outro lado da tela -, como dar nome ao blog e em que categoria inscrevê-lo; já que confesso, preferi usar um pseudônimo, pois se der muito furo, só mesmo os mais chegados é que saberão de fato quem sou eu.

Para os outros, incorporo a personagem, nesta fase de iniciação. Assim fica mais fácil e, não me cobrarei tanto… rsrsrs… só um pouquinho… rsrsrs.

Mas, quero deixar claro que mesmo com esta estratégia de usar um codinome,ele  não me tira a natureza de falar de minhas verdades, que desejo partilhar com quem estiver a fim de saber.

Fiquei matutando, quê  nome usar. Depois de muito procurar, lembrei-me desse nome - Olho d’água -, que significa uma nascente de água que rebenta do solo. Ele me passou emoção e transparência.

Toda nascente é contínua; clara e cristalina. E é nessa miríade, que busco me guiar sempre.

Também é uma homenagem a meu pai, um "cabra"  bom, lá da Palmerina-PE. Ele nasceu num sítio, que existe até hoje e está sob a posse de outros familiares e, que se chama Sítio Olho D’Água.

Este nome que meu vô batizou-o, teve como justificativa as várias nascentes de água dessa natureza, dentre elas, uma de maior intensidade, que brotava de um "lajeiro" de pedra, segundo meu pai, próximo à casa em que moravam.

Então, depois das explicações que dei, Ficamos combinado assim, então: alguns passos à frente daremos a partir de agora.

Sejam todos bem-vindos!!

 

criado por NRSE    17:08 — Arquivado em: Cotidiano

28/8/08

Lançando…

 

Olhares…

criado por NRSE    23:13 — Arquivado em: Cotidiano

TRADUZIR-SE

Uma parte de mim

é todo mundo:

outra parte é ninguém:

fundo sem fundo.

 

Uma parte de mim

é multidão:

outra parte estranheza

e  solidão.

 

Uma parte de mim

pesa, pondera:

outra parte

delira.

 

Uma parte de mim

almoça e janta:

outra parte

 se espanta.

 

Uma parte de mim

é permanente:

outra parte

se sabe de repente.

 

Uma parte de mim

é só vertigem:

outra parte,

linguagem.

 

Traduzir uma parte

na outra parte

- que é uma questão

de vida ou morte -

será arte?

 

GULLAR, Ferreira. In: O melhores poemas de Ferreira Gullar. 2ª ed. São Paulo, Global, 1985. p. 144-5.

criado por NRSE    22:32 — Arquivado em: Canções e poesias
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