Olhos D’Água

Uma nascente de expressão e troca de idéias… sobre o cotidiano; reminicências e as Mídias e o Serviço Social.Mas, há espaço para a poesia; a música; o humor etc. e tal…

6/11/09

Leiam o artigo “Alguma coisa está fora da ordem”: suicídio e trabalho na França

Quero indicar para todos (as) vocês o acesso ao artigo: << Alguma coisa está fora da ordem>>: suicídio e trabalho na França, que foi publicado, ontem, na editoria “Volta ao Mundo, Mundo da Volta”. Quem assina essa editoria é a profª Mione Sales (FSS/UERJ), que se encontra no blog coletivo “Mídia e Questão Social”.

Através do blog coletivo, a professora dá prosseguimento as reflexões sobre o tema que é tabu, o suicídio, e do qual é de nosso conhecimento, tem pouco espaço nas mídias, a não ser quando seja impossível não tratar do assunto. Um exemplo dos casos de suicídio na França, os do mundo do trabalho, na France Telecom. Embora, tivessem outros casos registrados a partir de 2007, na Renault, Peugeot e na EDF (Cia de Eletricidade da França).

Mione Sales, que atualmente, se encontra na França, faz uma análise muito bem estruturada sobre o “trabalho e suicídio”, com base nos estudos feitos pelo psicanalista e professor do Conservatório Nacional de Artes e Ofícios (CNAM), Christophe Dejours, conhecido no Brasil por seus livros como A Loucura do Trabalho e A Banalização da Injustiça Social, e com uma mais recente obra lançada (2009), que aborda a questão social do trabalho na contemporaneidade - o livro Suicide et Travail : que faire? - , produzido conjuntamente com Florence Bègue, psicóloga do trabalho e consultora de empresas.

Vale muito à pena a leitura e discussão deste artigo. O tema tem seu bojo de tristeza e dor, mas é uma realidade perversa que acontece com a incidência de que “a cada 40 segundos uma pessoa cometa o suicídio, no mundo, enquanto que a cada 03 segundos outra pessoa atenta pela própria vida” (OMS, 2000). Por isso a importância de se falar sobre ele, num viés de onde ele tem acontecido em massa, o mundo do trabalho.

As relações de trabalho, hoje se estabelecem com gestões de competitividade e produtividade, as quais, trazem o stress, incita o individualismo, a quebra da auto-estima, a fragilidade e a solidão. Com as demissões por longo período, muitos indivíduos, acabam em suas “descompensações psíquicas” (alcoolismo, drogadição, depressão, violência, suicídio etc.).

Em seu trabalho de supervisão de Serviço Social na área rural, no Norte Fluminense -RJ, pessoalmente, Mione, observou o consumo elevado de psicotrópicos, consumidos por trabalhadores e trabalhadoras rurais, o que nos faz perceber que a possiblidade, e por vezes, a concretização do suicídio, não é mal urbano, mas também rural.

No artigo, também há umas indicações que a professora nos passa, sobre várias leituras possíveis, nos links e filmografia social.

Nós todos precisamos de algum modo, engrossar o movimento de prevenção do suicídio, seja em que esfera ele insista em se tornar uma triste realidade. Desse modo, penso que este artigo possa contribuir de algum modo para a questão de prevenção do suicídio, cujo objetivo passa a ser de todos nós.

O Link do artigo: << Alguma coisa está fora da ordem>>: suicídio e trabalho na França é:
http://midiaequestaosocial.blogspot.com/2009/11/editoria-volta-do-mundo-mundo-da-volta.html

Espero que todos vocês acessem o referido link e expressem suas opiniões.

Um forte abraço,

Nelma Espíndola.
Assistente Social.

Fonte: Blog Mídia e Questão Social 
http://www.midiaequestaosocial.blogspot.com
criado por NRSE    0:23 — Arquivado em: Diálogo: Serviço Social e as Mídias, Política Social, Reflexões

12/10/09

Sobre o DIA DAS CRIANÇAS… amanhã

 

Quero deixar uma sugestão, que penso seja muito significativa sobre amanhã, 12 de outubro, o DIA DAS CRIANÇAS.

Acessem o blog Mídia e Questão social  - www.midiaequestaosocial.blogspot. É reflexivo o artigo, porém, também é um resgate e uma homenagem aos “pequenos tesouros” presentes no nosso cotidiano.

O link é: http://midiaequestaosocial.blogspot.com/2009/10/i-dia-12-de-outubro-pureza-da-resposta.html.

Deixem lá as suas ponderações.

Um grande abraço,

Nelma Espíndola.

22/3/09

Reflexões sobre “Cenas do Cotidiano”

Foto: Frente do Postal Cress-RJ, 2007.
                                                                                                                                                                                                                                              

Em minhas visitas a Blogosfera, uma das paradas obrigatórias é no blog do Jornalista Sidney Rezende. No último dia 18 de março, encontrei o seu post Cenas do Cotidiano, que pontua o seu olhar sobre a “diferença entre ricos e pobres” em nosso país, e sua possível causa “nossa incompetência”.

Antes de prosseguir, quero fazer um parêntese sobre a gênese deste artigo – a pobreza -; que tem sido apontada em algumas ocasiões pelo jornalista e, que dá uma possibilidade de repensarmos o nosso paradigma sobre esta questão social, com um olhar antropológico, que como sinalizam alguns estudiosos do Serviço Social, nos possibilita maior clareza em nossos posicionamentos e ações profissionais. Olhar antropológico tem em sua base: a alteridade; o etnocentrismo e relativismo.

Não falarei em alteridade, pois teria de falar de cultura, da diferença como alguma coisa constituída do ser humano. Toda sociedade tem o seu “controle social”, regras sociais que devem ser seguidas de acordo com as tensões sociais que são por ela geradas, mas que podem ser transgredidas. Lidar com as diferenças nas sociedades em geral se traduz em dificuldade.

Também não me aprofundarei no etnocentrismo, que é uma visão que atravessa as diferenças de culturas, onde se tem uma compreensão de hierarquia – do melhor para o pior -; uma atitude etnocêntrica é ver o outro tomando a si mesmo com parâmetro social de humanidade. Essa visão hierárquica é recheada de sinais de +/-, sendo o + sempre a sua visão pessoal e o outro é visto sempre como o -, aproximando-o do que pode parecer consigo mesmo.

E quanto ao relativismo, que é um dos fundamentos antropológicos mais usados na contemporaneidade, pontuarei o que no meu entender seja mais importante, a possibilidade que nos proporciona de olhar o outro o aceitando como ele é; cada sujeito tem algo a dizer, que deve ser considerado importante como símbolo de pertencimento a uma mesma humanidade.

Diante destas primeiras reflexões, passo então a fazer meu ensaio sobre a mensagem do leitor, a qual gerou o “Cenas do Cotidiano”, um assistente social, morador do Humaitá, que foi assaltado por uma “menina” do Santa Marta e, que ressalta o seu reconhecimento quanto ao preconceito contra os “pobres”, ainda mais quando esses são moradores de favelas; a adjetivação de “favelados” ajuda a “perpetuar a falta de oportunidades”, conclui.

O viés para manifestar o seu olhar quanto a este preconceito incidiu sobre outro post do Sidney Rezende, que tratava da inclusão digital no Morro Santa Marta, cuja reação de alguns internautas quanto a esta inclusão social era traduzida por oposição.

Bem para finalizar as minhas reflexões, que continuam pululando na minha cabeça, gostaria que elas se expandissem através de outras mentes brilhantes sobre a questão da pobreza que é cultural e histórica e tem um percurso de cinco séculos: de sua naturalização às formas organizadas de ajuda aos pobres; a institucionalização da assistência e a profissionalização dos seus agentes.

Sendo então recorrente nas sociedades antigas e nas modernas é importante discutirmos, independente de nossas ideologias político-partidárias, mas com um compromisso ético-político. Isso nos aproxima de uma proposta de superações das nossas “fronteiras pessoais”, desse modo temos de abandonar também, a idéia de que essa atitude de consenso seja uma utopia. A diminuição das desigualdades sociais se concretiza, então, por ações articuladas entre sociedade civil e o Estado.

O uso oportuno da informação de muito combateria e de modo eficaz, o uso muitas vezes assistencialista, e o populismo engendrado em algumas ações e serviços sócio-assistênciais por alguns gestores públicos. 

Fico esperançosa quando observo uma disponibilidade de alguns jornalistas e demais profissionais da comunicação, com uma disponibilidade pública, de viabilizar espaços através de seus instrumentos de trabalho, as mídias: rádio, televisão, jornais, cinema e internet, para a discussão e publicização das questões sociais, dentre elas a mais aviltante: a extrema pobreza.

Verso do Postal, Cress-RJ, 2007 sobre violência e a desigualdade social.

Nelma Espíndola

Assitente Social.

 

Fonte: www.sidneyrezende.com/noticia/33456+cenas+do+cotidiano ou www.sidneyrezende.com/blog/sidneyrezende

criado por NRSE    18:32 — Arquivado em: Diálogo: Serviço Social e as Mídias, O Rio que amamos, Reflexões

8/3/09

Parafraseando: “De mulher pra Mulher”, hoje é o dia!

 

Tenho todo orgulho em ter nascido mulher. Possuo como toda mulher, a emoção à flor da pele. Claro que cada uma expressa esse emocional em grau diferenciado; umas com intensidade maior, outras com o indicativo da racionalidade mais determinante. Mas, isso não suprime sua sensibilidade. Um exemplo gritante é a tal TPM, que só nós sentimos.

 

Mulher é “bicho esquisito” mesmo, “todo mês sangra”. O dadivoso é que por isso pode gerar em seu ventre, o fruto de um amor… O contraditório é que alguns episódios, fruto da barbárie sofrida - estupro, também resultam numa gestação, que até a 20ª semana, por lei pode ser interrompida. A opção cabe somente a ela. O corpo lhe pertence e a consciência de sua decisão também.

 

Mais é preciso sempre relativizar os gêneros masculinos. A maioria tem um olhar valorativo para com o gênero feminino. Há tantos exemplos em nosso cotidiano desse encantamento que nós mulheres causamos ao “bicho homem”.

 

A quantos deles não lhes causamos inspiração para gestos, dos mais simples ao mais extravagante, num resultado de expressão para nós e para o povo da rua, do quanto cada uma pode ser importante em suas vidas. Isto não é lindo?

 

Sabemos que o “NOSSO” dia, foi instituído como um marco histórico, no século XX, resultado da luta das mulheres, como celebração do enfrentamento e vitórias alcançadas nos parâmetros, econômicos, políticos e sociais.

 

Mas há uma boa caminhada pela frente; somos fortes/frágeis; determinadas/hesitantes; soberanas/submissas; amadas/amantes; somos tanta coisa… tanta…

 

E, como diz  Iamamoto (2005) “desigualdade é também rebeldia” e caracteriza uma coragem desse enfrentamento das desigualdades sociais, porque elas as ”vivenciam” e à elas “resistem”.

 

Minha homenagem a todas as mulheres “rebeldes” ou não, que trazem dentro do peito o

amor que desejam partilhar …

 

 

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!!

 

Por: Nelma Espíndola

criado por NRSE    11:43 — Arquivado em: Cotidiano, Reflexões

7/3/09

Cátolicas pelo Direito de Decidir, manifestam-se sobre a posição da Igreja.

Na Editoria SRZD Fé, do portal do jornalista Sidney Rezende, li o manifesto das Católicas pelo Direito de Decidir, sobre o caso da menina pernambucana de 9 anos, vítima de estupro por seu padastro e que teve que ser submetida ao aborto, pelo risco de vida que estaria exposta. A Igreja se manifestou, trazendo à tona polêmica e insensatez para o caso. Teve ampla divulgação. Agora, nada mais justo que parte de seus fiéis manifeste também o seu olhar sobre caso, especialmente as mulheres; é preciso discutir e repensar os dogmas dessa instituição. Transcrevo o artigo abaixo:

 Brasil - Insanidade, crueldade ou princípios cristãos?            

 Católicas pelo Direiro de Decidir* | | 07/03/2009 13:52 

 
 
Católicas pelo Direito de Decidir manifesta-se sobre o caso da menina pernambucana de nove anos, grávida por estupro de seu próprio padrasto.
 
O que pode levar alguém a desejar obrigar uma criança, com risco de sua própria vida, a manter uma gravidez fruto de uma inominável violência? Rígidos princípios religiosos? Ou insanidade e crueldade? Estamos falando do caso ocorrido em Pernambuco da menina de nove anos que apresentou gravidez (de gêmeos!) como resultado de estupros seguidos que sofreu de seu padrasto, violência a que foi submetida desde os seis anos de idade.
 
A gestação foi interrompida no dia 04 de março último, às 10h da manhã, seguindo o protocolo do Ministério da Saúde que permite abortamento em casos de gravidez de risco ou quando a gestante foi vítima de estupro, ainda que o aborto continue sendo crime no país. O caso da garota pernambucana se enquadrava nos dois casos, já que a gravidez de fetos gêmeos também colocava sua vida em risco, pois a menina pesa apenas 36 kg e mede 1,36 m.  Por seu muito pequena, ela não tem estrutura física para suportar a gravidez de um feto, muito menos de dois. É de se imaginar, ainda, os danos psicológicos a que seria submetida se fosse obrigada a levar essa gravidez a termo.
 
Para nossa surpresa - e indignação!-, entretanto, houve uma intensa movimentação de militantes religiosos contra a interrupção dessa gravidez tão perigosa, sob todos os aspectos, para essa pequena criança de nove anos. Até mesmo ameaça de excomunhão houve! Sob o argumento da defesa da vida, essas pessoas não se importaram em nenhum momento nem com a violência já sofrida por ela, nem com a real possibilidade que havia de a menina perder a própria vida. Se essa criança - que tem existência real e concreta, com uma história de vida, relações pessoais, afetos, sentimentos e pensamentos, enfim -, se essa menina não merece ter sua vida protegida,  trata-se de defender a vida de quem? De uma vida em potencial ou um conceito, uma abstração? Quem tem o direito de condenar à morte uma pessoa em nome de se defender uma possibilidade de vida que ainda não se concretizou e não tem existência própria e autônoma?
 
Pensamos que se configura como pura crueldade essa intransigente defesa de princípios abstratos e de valores absolutos que, quando confrontados com a realidade cotidiana, esvaziam-se de sentido e, principalmente, da compaixão cristã. Seria possível imaginarmos o que Jesus Cristo diria a essa menina? Seria ele intolerante, inflexível e cruel a ponto de dizer a ela que sua vida não tem valor? Ou ele a acolheria gentilmente, procuraria ouvir sua dor e a acalentaria em seu sofrimento? Será que ele defenderia que ela sofresse mais uma violência ou usaria sua voz para gritar contra os abusos que ela sofreu?
                                                                                                                                     
Felizmente, a menina pernambucana pôde, graças ao respeito a um direito democraticamente conquistado, diminuir os danos das inúmeras violências que sofreu e a gravidez foi interrompida. Assusta-nos, porém, saber que, ao contrário dessa menina, outras tantas vidas têm sido ceifadas em nome de princípios intransigentes, duros, violentos e nada amorosos. Assusta-nos o desprezo pela vida das mulheres. Assusta-nos que suas histórias sejam descartadas, que sua existência na Terra esteja valendo menos do que a crença autoritária de algumas poucas pessoas.
 
Para que a nossa democracia seja efetiva, as pessoas precisam ter o direito real de escolher. Por isso, defendemos que as políticas públicas de saúde reprodutiva e os direitos reprodutivos já conquistados sejam garantidos. Além disso, lutamos pela legalização do aborto, para que as mulheres que assim desejem, possam levar qualquer gravidez até o fim. Mas que as que não o desejam, não sejam obrigadas a arriscar suas vidas, ou mesmo morram, por se pautarem por valores éticos distintos.
 
São Paulo, 05 de março de 2009

Católicas pelo Direito de Decidir
http://www.catolicasonline.org.br/
cddbr@uol.com.br

* Boletim das Católicas pelo Direito de Decidir
 Fonte:www.sidneyrezende.com 
criado por NRSE    21:40 — Arquivado em: Reflexões
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